PROSA POÉTICA

Última Que Morre

Última Que Morre

A gente só tá aqui por causa da esperança. A manada humana toda, por conta dela.
Se a gente faz as coisas e frita a cebola no óleo, e pensa que estuda e se esquece da matéria e passa xampu ou sabão de coco ou não passa nada…

A gestação do abacate

A gestação do abacate

Rebeca é obcecada por frutas. Não por gostar de comê-las, pois na verdade ela as considera impalatáveis, mas a fixação por esse alimento ocorreu devido ao seu valor poético. A estética das frutas a agrada: suas carnes e cores.

Transição

Transição

Não vês então que trago uma tristeza que é tua e que nasceu dos olhares que não trocamos?

O precioso indivíduo

O precioso indivíduo

Bato a porta do meu coração e me fecho às opiniões alheias, resguardo meu individualismo a todo custo, preciso como uma joia, e conciso como uma oração. Meu indivíduo é como Narciso, e espelha suas projeções defeituosas nas personas que me cercam virtual e realmente.

Minha Rua Não Tem Palmeiras

Minha Rua Não Tem Palmeiras

Minha rua é socialista. Quando chove, há barro para todos. Lá, a democracia é totalitária. Quiseram calçá-la, base de rateio. Uns poucos declinaram, continuou crua. Ideologicamente, prefiro. Seria brindar incapacidades.
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Tristeza antiga

Tristeza antiga

Esta tristeza ancorada em meus olhos tange o rio de águas doces que corre nos sertões do meu espirito. Perdi o rito da vida, o ritmo das coisas comuns.
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À Espera de Uma Chamada

À Espera de Uma Chamada

Então reparei na forma com que segurava o celular. A mão arqueada, que o suspendia com absoluta precisão das extremidades, permitindo que apenas um dos cantos tocasse o mármore.
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