POEMA

Espelho

Espelho

Tu não amas nem a ti nem ao mundo
Nem a deus, nem a teu pai, ou a teu filho.
Nem a beleza que é a beleza que cria todas as belezas que dizes perseguir;

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jabuticaba

jabuticaba

sonhei-te hoje
num susto acordei
saltei para o escuro

doloso

doloso

sei dessa angústia
tardia que habita
meus espelhos
matinais

Transfugação

Transfugação

Mal sinto o cheiro da musa
Que – obtusa – não me ama,
Mas tiro as blusas das outras,
Que abusam de mim na cama.

Faísca

Uma lasca desprendeu-se da aurora boreal.
Verde-azulou mansinho
E foi-se embora. Sentia frio à deriva, tocada
Por ventos solares atmosfera afora,
Sem meta ou destino,
Sem nada.
Um fragmento dos fogos de artifício
De deuses primitivos
Quis, pra encurtar a história,
Abrigo num país tropical.
[…]

Um quase inverno

Um quase inverno

o outono só esquenta as vísceras enquanto dorme
só avia pecados em segredo e silêncio
enquanto ora, dissimulado, às folhas secas em escalpo de rosa
pelo espinho que murcha, mas ainda fere

caminhar deserto

caminhar deserto

teu olhar
esse doido
amotinado
rebentou vidraças
estilhaçou anteparos