CONTO

Sapatos

Sapatos

Rasputin em palácio, Booth ao teatro, piloto-de-onze-de-setembro, adentrou a loja. Mirou a balconista e disparou à queima-roupa: “– Me dê aqueles!”, apontando preto e reluzente par.

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O DOMINADOR

O DOMINADOR

O jogo começara. Laura seguiu à risca todas as instruções: roupas, acessórios, local e horário. Agora lá estava ela, na tal cafeteria, usando um antiquado chapéu amarelo que atraía olhares curiosos.

ESQUINA

ESQUINA

Na esquina, quando o CD caiu, os arquivos escorregaram e se espalharam pelo chão. Nem percebi. Peguei o CD vazio, enfiei na pasta e continuei andando, rápido.

A SUBMISSA

A SUBMISSA

Laura desejava poucas coisas na vida.
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O Centauro de Saramago

O Centauro de Saramago

Conheceu a Nélida no salão de cabeleireiro. Fora fazer um corte a máquina e a gerente, uma felliniana de quase 100 quilos, a convocou para executar o serviço. Sentado na cadeira, observando-a através do espelho, Ignácio sentiu o célebre desconforto machista em ser atendido por um travesti. Suas mãos eram pesadas, mãos de homem, a despeito da tentativa de figura feminina que Nélida se esforçava em representar. Não fosse o leve azular da barba…
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O FANTASMA E O CHICOTE

O FANTASMA E O CHICOTE

O delegado acabara de ouvir o depoimento de Federico, sujeito que vivia de favores no hotel de um amigo. O próximo a falar seria Marcello, hóspede do apartamento 403.
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Churrasco

Churrasco

Maio, cheiro da graxa desmanchando ao braseiro imiscuía flor de eucalipto. Fora apeando o baio que já avistaria o russo, lenço maragato e bombachas, botas cano-alto, pretas e lustro.
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