CONTO

DOIS ESTRANHOS E UM QUARTO DE HOTEL

DOIS ESTRANHOS E UM QUARTO DE HOTEL

A confusão estava armada. Helena e Afonso — dois completos desconhecidos — haviam sido colocados no mesmo quarto. O gerente do único hotel naquele fim de mundo não perdeu tempo com desculpas. E foi direto ao ponto: não havia outro lugar vago…

Dez Meses de Solidão

Dez Meses de Solidão

Então, o caminhão partiu. E tudo o que eu era, ou pudera ser, estava contido numa carroceria. Percebi, desta forma, que há algo de poetizável na miserabilidade.

A NOITE DA VERDADE

A NOITE DA VERDADE

Ele mentia. Ela mentia. Eles seguiam. Numa noite como outra qualquer, ele ousou dizer a verdade.
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Cotidiano em três cenas

Cotidiano em três cenas

Finalmente meu lar. Véspera de Natal o shopping fica lotado. Todos os olhares nas vitrines e nós sendo vitrines de todos os olhares. Os pensamentos alheios nos fitando, filtrando nosso caráter, nosso potencial de consumo: “Deve ser rico!”, ou então, “Ih! Pé rapado! Vai comprar seis meias, não dá nem para a comissão do vendedor…”.
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A Salvação da Lavoura

A Salvação da Lavoura

Uma danação lhe consumia desde que soubera do tal satélite. A coisa que os homens tinham botado lá no céu ia despencar, ouvira no rádio da bodega do Simão no sábado em que aproveitara pra tomar uma carraspana e esquecer a maldita vida que levava.
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LOUCURA A DOIS

LOUCURA A DOIS

Pareciam felizes no retrato que decorava o criado-mudo. Talvez tenham sido por algum tempo. Clarice encontrara Manuel há dez anos.
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Sapatos

Sapatos

Rasputin em palácio, Booth ao teatro, piloto-de-onze-de-setembro, adentrou a loja. Mirou a balconista e disparou à queima-roupa: “– Me dê aqueles!”, apontando preto e reluzente par.
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