leonardo quintela

Garrafas, cigarros e estradas

Garrafas, cigarros e estradas

minha cabeça explode, amada. será o excesso de cafeína ou seria a abstenção de sexo? o que sei é que a maresia é um ótimo refresco para o olfato. e assim como em dias de ressaca, não suportaria o cheiro de algo mais forte. e o vizinho do lado não larga o cigarro por nada.

teatro das formigas

teatro das formigas

sol amanhecido…
vagou o trono
do rei do Rio.
passeiam
em largo,
as formigas
[…]

A Saga de José

A Saga de José

seguinte, vai ancorar um navio, vindo da jamaica, lá no porto de itaguaí. tu chega lá e procura pelo Bollota, que é o fiscal chefe de lá. o cara sabe que tu vai chegar nele, mas não sabe como é a tua cara, nisso segue a senha pra não dar muita bandeira junto aos traficas, que geralmente são homens duplos. pergunta pra ele onde se pode comprar uma camisa do walderrama, o colombiano.
[…]

A Cadeira 41

A Cadeira 41

— nada pra ler!! — resmungava o velho e bom faxineiro do bar enquanto arrumava a bagunça do ambiente depois de outra madrugada de sexta-feira.
[…]

série mulheres

série mulheres

Maria Luiza

dos anos, os vinte. se ela soubesse como eu soube tanto de sua vida… os inconfessáveis segredos que a gente guarda no íntimo pra quando chegar a noite, o travesseiro, querendo-o nele, o cheiro dela. como flamba a carne ao escrever seu nome no espelho suado após um banho demorado.o corpo inda chama. de onde, não sei.
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Eu só quero o caminhar da noite

Eu só quero o caminhar da noite

eu não sei de você. eu não sei do mundo. eu só sei que há ruas desertas pro caminhar da noite. não espero o esbarrar prometido nem o encontrar por aí. eu só quero o caminhar da noite. não quero o do fim de semana nem o combinado do fim do expediente. eu não quero o lugar comum. eu só quero o caminhar da noite.
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Despedida

Despedida

ela disse adeus. eu disse até. ela saiu, bateu o portão. eu fiquei, tranquei a porta. ela encheu o tanque da motocicleta. eu enchi a cara a certa hora.
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