Mailton Rangel

Degredo

Degredo

Sigo a ermo, abstraído,
Desenxavido em notar,
Que o Paraíba é meu rio,
Mas eu, feito peixe esguio,
Já não sei paraibar.

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Transfugação

Transfugação

Mal sinto o cheiro da musa
Que – obtusa – não me ama,
Mas tiro as blusas das outras,
Que abusam de mim na cama.
[…]

Ruptura

Ruptura

Se estou fugindo… é paraMarte,
Se além do infuso pronome,
Deixo-lhe a parte mais doce de mim,
Sendo que um quarto
É em razão do amor,
E o resto,
Pela sua imposição.
[…]

Ofertório

Ofertório

Quando você cismar de vir a mim,
Peça-me outro dos meus abraços,
Um tasco da minha alegria,
Meu ouro, outra alegoria,
Um trevo de Alexandria,
Um rim,
Meu melhor terno de brim emprestado
Ou a mais nobre querência do meu jardim;
Só não me peça menosprezo,
Pois este, por ter mais peso,
Não deixo brotar em mim.
[…]

Unicus

Unicus

Inconstitucionalissimamente:
Tolhido vago em Justiça amorfa,
Se sem vislumbrar em líquida certeza
O ‘fumus boni iuris’ da límpida teoria,
Deixei de crer em qualquer ‘decisum’
Que emirja das togas cruas!
[…]

Ecoliria

Ecoliria

A natureza agoniza
Ante os plasmas de ojeriza
Que sufocam toda a doçura das águas doces,
E no mar que ruge crespo,
Putrefato
[…]

Pro-nobis

Pro-nobis

Eu hoje
– vejam quanto galardão,
Irei com o terno mais chique,
Participar da procissão!
[…]