2 Comentários

Tristeza antiga

Esta tristeza ancorada em meus olhos tange o rio de águas doces que corre nos sertões do meu espirito. Perdi o rito da vida, o ritmo das coisas comuns. Observo rolinhas carpideiras que acompanham meu olhar de barco fantasma mirando o mar sedento. Mas eu perdi a sede de mar, de aventura. A fama de bom pescador, o brio, a doçura. Essa secura nos meus lábios mortos reflete desertos interiores. Perdi o manto das noites, a flecha certeira. Perdi o rumo da prosa, a passada, a carreira. Nada dizem meus lábios frios. Nenhuma palavra rouca, nem mesmo poesia pouca. Imenso calabouço de vazios. Amargura que amarra os meus pés, sufoca minhas mãos e enterra meu viço… Esta tristeza calcificada nos meus olhos é antiga. Vai além dos vales, das urtigas, do mormaço, da caatinga… Essa tristeza é velha, bem se vê pelo tom sépia das fotografias dos álbuns que ainda guardo como parte de mim.

Apoie este projeto!

Crowdfunding

Tá na hora de imprimir!

Faça uma doação!

Ganhe recompensas!

Campanha “Caminhos que se abrem

A revista digital superou as nossas expectativas. Então resolvemos assumir um compromisso bem mais sério com os nossos leitores: um sítio com domínio próprio, com design competente e responsivo E… a edição impressa!

Saiba mais aqui.

Anúncios

2 comentários em “Tristeza antiga

  1. A poética de Radyr Gonçalves é sublime,mais que mágica. Inspira até as pedras que nada pensam nem sentem. Poeta único.

    Curtir

Seu comentário é bem-vindo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: