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Apontando

Há muito tempo construí uma ponte que ligaria meu coração ao teu, para juntos bombear as esperanças de um para o outro, e de outro para um.

Ponte estaiada, mas que nos liga de uma forma pouco convencional mas muito sincera. O oceano de dúvidas, medos e inseguranças que nos sustenta está turvo hoje. Misturado com a borra de café, é possível adivinhar o futuro.

Como arquiteta, ela aponta os lápis e desenha a construção em quadrinhos, prancha a prancha, parafusando as ideias umas nas outras. Como artista, ela criou uma história suave, sem tantos balanços, e um punhado de cachorros para dar estabilidade. Como desenhista, ela escorre água pelas bordas, manchando as cores, mesclando-as com nossas emoções. Como inventora, ela já planejou tudo, toda uma vida, tatuou nossas mãos entrelaçadas.

Os cabelos amarrados na lateral indicam a meninice com que me imagina daqui a quinze anos, sentado numa mesa redonda com um suco natural de melancia, estudando para o vestibular.

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