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O DOMINADOR

O jogo começara. Laura seguiu à risca todas as instruções: roupas, acessórios, local e horário. Agora lá estava ela, na tal cafeteria, usando um antiquado chapéu amarelo que atraía olhares curiosos. Constrangida, Laura tentou concentrar-se nas palavras de seu dominador:

— Você pensará apenas em mim. E sentirá prazer por isto.

Ela quis acreditar que seria exatamente como ele dissera, porém seu desconforto crescia à medida que o tempo avançava sem o menor sinal daquele homem. E então um dos garçons, sorrindo, colocou uma xícara de café sobre a mesa. Laura não havia pedido coisa alguma, mas entendeu que o homem a quem entregara seus desejos, ainda que ausente, acabara de fazer o primeiro movimento. Nunca mais um café teria o mesmo gosto.

 

Imagem: Automat, óleo sobre tela, 1927, por Edward Hopper
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Sobre Dolce Vita

Meu nome é Cristina Taiar. E meu pseudônimo "Dolce Vita", fruto da minha paixão pelo cinema. Sou psicóloga clínica, e há sete anos mantenho um site onde publico contos inspirados em imagens. A partir de 2014, comecei a me aventurar também como roteirista. Em parceria com um amigo residente nos Estados Unidos, escrevo roteiros de curtas-metragens que ele dirige e produz em Atlanta. O cinema tem me ensinado a ser econômica ao contar uma história. Por isto, descarto os rodeios, mas adoro uma reviravolta.

Um comentário em “O DOMINADOR

  1. Muito bom. I dominador tem um poder que causa arrepios. Faz-se presente até mesmo quando está morto

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