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Transfugação

Memoir

Mal sinto o cheiro da musa
Que – obtusa – não me ama,
Mas tiro as blusas das outras,
Que abusam de mim na cama.

Meu reino de gás se enruga
Tal balão que exaure a chama,
Jazendo qual sombra feia
De esponja que secaria,
Se ao sol esquecida um dia,
Na solidão que impermeia.

Meu cintilar é impreciso,
Qual pingo que em breu oscila
E na ilusão paira insistindo,
Desprovido de sentidos,
Cumprindo rotas sem fuga,
Num vácuo que enreda e suga
A luz de estrelas vazias.

Destarte, nem seivas sorvo,
Pois sequer mais brilho ostento,
E assim nem forjo em mim mesmo
Nada mais que a vista aprove,
Se avesso e desconsertado,
Despido da própria essência,
Me estreito em morte esnocada.

E à força, assim transmudado,
Feito os cereais mofados
Dos silos mal betumados
Por veleidades vencidas,
Torpe,
Esquálido,
Esvaído,
Nu de aura, obsoleto,
Sinto-me um mito que só se perfila,
Às pródigas receitas dos remédios inúteis
Que os homens desiludidos do planeta
Depositam nas lixeiras!

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