1 comentário

teatro das formigas

formigas

Primeiro Ato

sol amanhecido…

vagou o trono
do rei do Rio.

passeiam
em largo,
as formigas

pelas
narinas sujas
de sangue

indiferentes,
ante a luz
dos refletores…

 

Segundo Ato

desaparecidos
os corpos…

palcos de gládios
no submundo
do circo

azulados,
longe dos efeitos
das luzes

brilham elas
quase solitárias

pela ausência
de público.

 

Terceiro Ato

no sertão,
em conluio
com urubus,

elas traem a peça…

enquanto
orbitam pelas
cavernas cranianas

onde, vestidas
para o rigor da ocasião,
celebram

nos bastidores…

 

Quarto Ato

sob intensa chuva
de domingo…

sem missa
ou notícias nos jornais
em manchete…

as colônias
repletas de enredos
repetidos

encaram atordoadas
a presença
do patriarca

“in memoriam”…

 

Quinto Ato

pela varanda
há sobras de festança…

sem escrúpulos
algumas saem do palco
pela surdina

amontoam
estoque de papelotes,
e desaparecem…

sem vestígios
dos desfalques

que eram parte
do contrabando…

 

Sexto Ato

reunidas
em plenário

incontinenti
decidem…

onde
pôr marcadores
via GPS,

sob vigilância
ostensiva
dos mercadores,

resguardada
a integridade material
do embrulho

apreendido…

 

Sétimo Ato

sob a ótica
dos velhos comandados

traçam rotas
sob túneis caóticos,
inúteis.

antenadas,

capturam sinais
digitais e
analógicos

desertam a lei
e debandam,
como cegos

à procura de luz…

 

Oitavo Ato

em porões
escuros e úmidos

sob tortura
barata,
delatam companheiros

alguns, capitalistas
e outros,
comunistas…

investigadas
por crimes de evasão
de direitos

pedem asilo,
às milícias,
a despeito da honra

forjada…

 

Nono Ato

de grandes edifícios

desafiam
homens armados…

avistado o cadáver,
a pleno voo
não hesitam e saltam

por vidraças
estilhaçadas e
películas 8 mm

sob luzes de cidades,
olhos de
testemunhas

e ação de gravidade
encerram, triunfantes,
audaciosa pilhagem

de víveres…

 

Décimo Ato

em cobertas e
nas fronhas matinais
sob babas

fruto de sonhos
ou pesadelos
de antigos marginais.

enquanto
salivam gordas
bodas

em conflitos

atacam-lhe
os últimos
vestígios de sua

sanidade.

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Um comentário em “teatro das formigas

  1. Adorei os poemas….. lindos!

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