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Ecoliria

mariana

A natureza agoniza
Ante os plasmas de ojeriza
Que sufocam toda a doçura das águas doces,
E no mar que ruge crespo,
Putrefato
E aviltado…
– Os nossos peixes não conseguem respirar!

Plantam-se brasas,
Que esmerilham-se nas trilhas,
Cavalgando um vento insano
Que as propaga em assobios,
Num fluxo que fere as narinas;
Que oxida as consciências;
Que corrói sem dó nem trégua,
Tanto as rosas florescíveis,
Quanto as mãos da adubação,
E até as sonoras palhetas
E os mais ilustres pulmões…
– Nossos clarinetistas não conseguem concertar!

A natureza agoniza,
E se é que ainda nos resta um sabiá,
Seu canto destoa rouco,
Soando cada vez mais xucro!
– Nossos poetas não conseguem transpirar!

E a relva sorve esvaída
Os pisões de uns animais,
Crias da gana que mecatroniza
Pra implantar a morte à guisa
Da ambição que têm nas veias…
– Eis a agonia
Que mais se reverte em anabolizante
Para os cultivos do lucro!

A natureza agoniza,
E à falta de sombra macia,
Já nem se vê um pôr-do-sol propício
Para iluminar algum lirismo;
Para propagar os bons solfejos…
Pois, tudo que vinga é o câncer da pele,
Da ética
E do equilíbrio.
– Eis nosso bizarro prêmio pela irracionalidade!

A natureza agoniza…
E acima das zoonoses que já zoneiam
Até o restinho de ozônio dos céus,
Só e submisso, Deus igualmente agoniza.
– Está morrendo asfixiado!

Mailton Rangel

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