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Ruídos de um silêncio sobre luzes imaginárias

bridge






cacos violeta de um caleidoscópio
ecos, reflexos, cacos
giros violeta de todas as cores

de repente a visão, mas não há imagem
e o que eu supunha indelével
eram apenas pegadas em tempestade de areia
apenas o início do precipício
um lapso negro
no dia mais brilhante
do que eu previra primavera

há momentos em que a estrada escapa-me dos pés
como se engolisse o olhar de aves migratórias fora de seu rumo
em rotas tortas que indeferem sentidos
como o decidir a revoada nos dedos que seguram as asas em silêncio
a calar sobre costas que pesam cem milhões de lembranças

de repente a visão, não a imagem
há momentos assim
impregnados da descoberta da verdade doída da ilusão
de se palpar o irreal
de se enxergar o que não há
mas há
assim

(Celso Mendes)

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Sobre Celso Mendes

escritor? não. alguém que quer ver a palavra emergir a apontar imprevisíveis direções. deixá-la crua ou temperá-la, pouco importa a receita ou o formato, importa ver aonde aponta e onde toca. e ser por ela tocado.

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