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NA FEBRE DO RATO

Glashütte

I – abstinência

uma máquina pequena antiga Olivetti do Brasil S.A. onírica tresloucada de toques viciados, é o que tenho.

também tenho tremedeiras.

fumo quase um maço por dia e recordo.

engarrafamento na goela,
procissão de demônios,
veias inflamadas.

depois apago.

esfrego o punho
da borracha
na face da memória.

o relógio amanhece
o sol,
o orvalho descansa
os grilos.

cuspo medicamentos,
cuspo orações.

cuspo no paredão de concreto que me guarda o fogo, cuspo na direção do vento e fujo aos pedaços, cuspo nos cacos de vidro, nas lanças, nas cercas de arame, no leite, no branco do chão do quarto, na remissão dos pecados e na vida eterna,

amém!

Imagem: Glashütte Spezichron Diver on Olivetti Lettera 32, por FLO_mac
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Um comentário em “NA FEBRE DO RATO

  1. Sou réu confesso. Sempre admirei o talento do Anderson H.
    Sabe quando alguém escreve algo e a gente olha e diz: “Poxa, meu… era isso que eu queria escrever.”.

    Parabéns, meu querido poeta.
    Tudo de bom.

    Curtir

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