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O importante equilíbrio da matéria sem vontade

cadeira

Era uma mulher escrita há muito tempo
ou talvez fosse uma mulher sentada numa cadeira
com a hipótese de cair lá dentro

a sala à volta era suficiente
mas ela interessou-se pelo espaço quieto dentro da madeira
na quase divergência de um infinito por dentro
a ser ultrapassado devagar
era a cadeira o mais apetecível

o importante equilíbrio da matéria sem vontade

será o não saber da velocidade das coisas
que a debruçava para dentro
dos espaços mais quietos ali
espaços onde os espaços dela podiam ser atrasados

não a forma ou o nome da espera
teriam ali dentro ficado debruçados de outros

e que de entre as duas
a que ficasse não devolvesse quieta
a história de movimentos lancinantes
de demandas a moinhos fraccionados
da velocidade ridícula a que se gastam as coisas vivas

tinha um século aquela cadeira, à medida de a assustar
e não lhe devolvia quase nada
a não ser que lhe fora escrita
para um outro infinito
(a sentar-se
na mesma cadeira)
que a ultrapassou devagar

Imagem: A Cadeira, de Vincent van Gogh
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