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Arrivederci

A tristeza me pegou de jeito hoje. Sinto que aquele desenho de ossos encapuzados criou vida e bate na porta das pessoas, anunciando a brevidade de nossa consciência. E a perpetuidade das minhas memórias… Será que vou sempre me lembrar de ti?

Eu não tenho lágrimas suficientes para salgar tua carne, e me juntarei aos teus outros amigos no teu processo de mumificação, e poetaremos teus feitos e não-feitos (como se feitos tivessem sido), e te manteremos vivo como a musa de Camões.

Ah, meu amigo. As perdas se acumulam como um punhado de pedras nos meus bolsos enquanto tento atravessar o rio. E a cada braçada me sinto mais pesada e preciso de mais força para seguir.

A dor me é infinita, e hoje me resigno a senti-la vibrante em minhas artérias, perfurando meus órgãos e cegando meus olhos. Minha visão cega tromba nos mesmos móveis que sempre estiveram no mesmo lugar, e sinto novamente a (in)segurança de que está tudo igual.

As estrelas não me consolam, nem a lua, nem o céu. Nem mesmo o céu. Nos encontraremos um dia, meu caro.

 O-Ultimo-Adeus

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2 comentários em “Arrivederci

  1. Maria Ligia, a escriba dos signos em itálico. Concordo com a Larissa: a percepção das medidas e dos sentidos, no contraste. É uma honra ser partícipe, ao lado das duas, neste periódico.

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  2. Que lindo, Lígia. O peso das coisas nos faz lembrar da leveza, eu me Lembrei dos amados que se foram.

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