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MERGULHO

pescadores_di_cavalcanti

Desnecessário o grito,
a voz insone,
o rosto aflito.

Somente o mar presenciou teu fim,
e nas areias não deixou escrito
teu testamento.

Pescadores de grandes pés morenos
recolherão teu corpo esguio e morto,
alguns com muito espanto,
outros com pena.

Levar-te-ão às pressas para a aldeia.
Alguém decerto tocará um sino.
Jamais entenderão tua mensagem.
Ninguém por lá te conheceu menino.

Imagem: Pescadores, de Di Cavalcanti
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3 comentários em “MERGULHO

  1. Li, a primeira vez, na comunidade Bar do Escritor (Orkut). Ficaram traços na minha memória literária, apesar de péssima. Tenho um conto curto (Quintais), que diz da derradeira morada à beira-mar. O poema parece conversar com este conto. Ou, melhor: num cenário semelhante, me pareceu tão ou mais melancólico. Evidentemente que com abissal desnível qualitativo em favor do poema. Reli, uma, duas, cinco, dez vezes… A cada releitura, adquire nuanças que o mais vivificam.

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