1 comentário

Interstício

rose-sous-la-pluie
 E no decorrer dos meses
 Já não sei mais quem eu sou
 E a pessoa
 Refletida
 No espelho
 Dos seus olhos
 Por onde foi que entrou?
 Marina Lima/Antônio Cícero

Minha alma dança,
enevoada e cega
sob o jugo de mil pecados

Rutilante e trêmula bacante
que desaba em espirais sinuosas.

Ninguém vê o malabarismo das minhas lágrimas
sigo subjugada num equilíbrio frágil
pendurada nos delicados fios
tecidos por mãos insanas e frias

Corto delicadas lascas de mim
em inúteis remissões
fragmentos do que fui.

Culpas crescem indolentes
nas frestas dos teus silêncios
reforçam a filigrana prateada
que brota dos teus olhos vidrados

Beijos sonolentos me deslizam
por lençóis bordados de sonho,
enquanto amamento lobos mutantes
filhos das facas que se escondem no interstício
das palavras não ditas

Desfaço-me a cada dia pra te recompor
junto os cacos dos teus olhos
reconstruo os teus sonhos
enquanto abraço abismos.

Anúncios

Sobre Rosa Cardoso

Pseudo-poeta! Batizei-me assim quando ,depois de ler Bandeira , atrevida e teimosa cometi uns versos. Li e os achei esquisitos e parecidos comigo. Adotei-os. Os contos vieram depois e nasciam meio mortos. Os leitores reclamavam : Onde está o final? Sofria buscando dar um final aos natimortos. Isso foi antes. Passado, pretérito mais que perfeitinho, agora quero sinceramente que os finais se danem. Não gostou? Inventa um. Se for legal me mostra.

Um comentário em “Interstício

  1. gostei muito, rosa! meus parabéns! ^^

    Curtir

Seu comentário é bem-vindo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: