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Sucumbência

craque

Nem percebi a ardência tórrida do enxofre,
Quando, de chofre, mergulhei no insano antro
Onde a alma enruga ante a fuligem desse imposto
Que impõe mais cânceres que as fibras do amianto.

E ao ver queimar-me a pele crua e sem unguento,
Fundiu-se em mim a intensa dor da fuga errônea,
Mas, se é tão pedra a face vil do falso encanto,
Fugir da fuga é velejar num mar de amônia.

‘Frouxo’ é quem busca – hoje eu sei – paz na utopia,
Porque as estrelas nunca espraiam seus fomentos
Pela infusão que em tal engodo assombra tanto;

E dentre o clã dos mortos-vivos da agonia,
Craque é o ‘careta’ que não cai no experimento,
Pois, nesse inferno, nunca há luz nem acalanto.

Mailton Rangel

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Um comentário em “Sucumbência

  1. gostei muito, porque adoro sonetos e este é bem escrito, sem firulas! um soneto pós-moderno! parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

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