6 Comentários

Sopro

Fogo
oh, fole da palavra-fogo
aplaca este gelo que me fere a língua
derrete esta casca que me oculta o lírio
ora pela asa, pela casa, pela roupa seca no varal
pela tenra semente do alcaçuz
pelo broto de sílica no quintal
pela unha rasgada a punhal
pela contumaz mudez imposta à carne

ora, ainda, pelos gritos engolidos
[ou perdidos em buracos negros]
pelos lábios costurados a fios de aço
pelo corte na cartilagem cricóide
pelas ranhuras neste corpo caloso
pelas feridas
pelas cicatrizes
e pelos meus olhos alados
que não se querem pousar

(Celso Mendes)

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Sobre Celso Mendes

escritor? não. alguém que quer ver a palavra emergir a apontar imprevisíveis direções. deixá-la crua ou temperá-la, pouco importa a receita ou o formato, importa ver aonde aponta e onde toca. e ser por ela tocado.

6 comentários em “Sopro

  1. Forte e melódico. Adorei.

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  2. Gosto muito deste seu poema Celso! Palavras dançantes encaixam-se perfeitamente, como num quebra-cabeça…

    Curtido por 1 pessoa

  3. grandioso poema… abração, poeta!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Arte pura no trato da palavra! Beijos

    Curtido por 1 pessoa

  5. Muito lindo meu amigo…Parabéns , sempre!

    Curtido por 1 pessoa

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