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Compasso de espera para abalar raiz e verbo


C1
um desalinho sacode a placidez  de templos e olhos
expurga a retidão do traço que se queria limpo e breve
inverte a polaridade deste horizonte injetado de sangue e de buscas
inventa um azul que adere incontrolavelmente
sob pés que desalcançam o chão
ao tempo que se rompem lábios siameses
e irrompem-se línguas bifurcadas

é quando a palavra reveste-se delírio
imagens calcinadas em pele árida reinventam-se gérmen
memórias atemporais perfiladas na rocha desorientam grafites

pólen de girassol
lua laranja
gosto de alcaçuz
sol e noite
orvalho e argila
trilhas e nuvens
estrelas na boca
brilho e silêncio
viagem

é quando o delírio ampara-se na palavra
levita
recolhe-se
e sonha
[real]

C1
(Celso Mendes)

Imagem de http://alentedalaranja.fotosblogue.com/5143/I-dont-wanna-wait-in-vain-for-your-love
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Sobre Celso Mendes

escritor? não. alguém que quer ver a palavra emergir a apontar imprevisíveis direções. deixá-la crua ou temperá-la, pouco importa a receita ou o formato, importa ver aonde aponta e onde toca. e ser por ela tocado.

Um comentário em “Compasso de espera para abalar raiz e verbo

  1. Universo imaginado, só existe pelo verbo, lançado de lado a lado…

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