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Despojo

O relógio bate às seis
horas soltas, sem sentido,
na aurora da rendição.

Às manchetes dos jornais:
O que a gente faz do espólio
lançado ao campo de guerra?

O que fazer da terra,
salgada, já sem o abrigo?
Comigo?
Abismo, tumba?
Não aquela do jazigo,
do vazio existencial.
Mas outra tumba,
mais fundo.
Aquela que inundou a casa,
varreu o mundo.
Arrasou lembranças, trigais.
Nem as tumbas, não há mais.

Nem há pontes.
Só a alma esquartejada,
solta às partes,
nos varais.

 

 

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