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carta ao amor de antes

os olhos há muito fitam as dobras do chão batido, como se fossem consumidos e feitos dessa terra vermelha, seca, e transbordam sob esse sol a pino do planalto central. pena, pena, penas e os anjos depenados já não voam mais, querem se matar, falta fé. as pontas dos dedos abordaram todas letras do teclado e não encontraram uma palavra boa, uma sentença inteira. não chove mais, não venta mais, o tempo não passa. faltam corações sinceros, falta amor e falta ego, sinônimos de acordo com suas frases de antes. ah, amado, talvez eu não me lembre de nada, quando esse sol rubro se for. estou doente de mim mesma, não posso ouvir mais ninguém, acometida desse egoísmo acrônico, desenfreado e estúpido. é que o refúgio de sua dureza doce e pura também me falta. a insônia toma minhas noites e o sonambulismo causa-me náuseas e amnésia. talvez eu não me lembre de mais nada e seja apenas um sonho dentro de um sonho, como bem disse Poe. eu morro e esse sol maldito me ressuscita todos os dias, não por fé, não por sentimento, por puro sadismo.

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Sobre Larissa Marques

Escritora, poetisa, leitora compulsiva, amante de Baudelaire e T.S. Eliot

2 comentários em “carta ao amor de antes

  1. todo teu. todo o encantamento do teu querer de mais antes. todo o amor que é, é sempre. no presente e sempre.

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