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O Senhor do Labirinto

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Cinebiografia do artista plástico Bispo do Rosário, baseada no livro “Arthur Bispo do Rosário – O senhor do labirinto” de Luciana Hidalgo. Homem simples, marinheiro e boxeador amador, Bispo é assaltado numa noite de dezembro de 1938 por alucinações que o fazem acreditar ser um enviado de Deus cuja missão seria julgar os homens. Depois de uma breve passagem pelo hospício da Praia Vermelha, célebre por abrigar anos antes outro gênio, o escritor Lima Barreto, Bispo do Rosário foi parar na Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, onde permaneceu por aproximadamente cinquenta anos e construiu, dentro do labirinto imaginário de sua cela, uma obra místico-artística fenomenal, baseada em sucatas e mantos bordados que ele vestiria quando da chegada do Juízo Final.

A trajetória de Bispo do Rosário prometia um espetáculo visceral e comovente, o que não acontece parte em virtude dos parcos recursos da produção que limitam o tempo de duração do filme, deixando a impressão de que uma enorme gama de fatos sobre o personagem deixa de ser narrado, como o roteiro truncado prejudicando o ritmo da história. A fotografia, propositalmente suja, cumpre o seu papel e a atuação de Flávio Bauraqui se destaca ao lado da de Irandhir Santos como Wanderley, funcionário da Colônia Juliano Moreira que, num misto de amizade e compaixão protege e a vida e a obra do artista.

Talvez se o roteiro focasse exclusivamente na relação entre Bispo do Rosário e Wanderley durante os cinquenta anos em que ambos permaneceram ligados àquela instituição psiquiatria resultasse em um filme mais original e interessante. Um desperdício de personagens.

No final, parcos trechos de “Arthur Bispo do Rosário – O Prisioneiro da Passagem”, de Hugo Denisart (também personagem do filme) só nos leva a despertar o interesse em assistir a assistir a esse documentário como forma de melhor conhecer o cine biografado e tentar apagar a sensação de decepção com “O Senhor do Labirinto” quando as luzes da sala de exibição se acendem.

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Sobre Zulmar Lopes

Fingidor de escritor, escreve por insistência e publica por irresponsabilidade. Roteirista do curta de animação infantil Chapeuzinho Adolescente, publicou em 2011 o livro de contos O Cheiro da Carne Queimada. Tem premiações em diversos concursos literários, a maioria de importância duvidosa. Por obra e graça do Espírito Santo e de um site da auto-publicação, lançou o livro de crônicas Pastel de Vento. Publicou também pelo infame pseudônimo uma coletânea intitulada Aqui Jaz Lameque.

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